Bolsonaro propõe projeto para prever imposto do combustível
Presidente sugeriu que o ICMS
incida, em porcentagem, sobre preço na refinaria ou haja valor fixo por litro
O presidente Jair Bolsonaro
anunciou nesta sexta-feira (5) a proposta de encaminhar ao Congresso um projeto
para atribuir aos Estados a definição do ICMS (Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços) sobre os combustíveis. A decisão foi tomada após
reunião com ministros e grupos de caminhoneiros.
"O que o governo federal
busca fazer é reduzir os impostos federais em cima do combustível. Essa
política é própria dos governadores. Não interferimos. Afinal de contas, não é
competência nossa. [...] O que pretendemos fazer na questão do ICMS é um
Projeto de Lei Complementar a ser apresentado ao Parlamento de modo que a
previsibilidade do ICMS se faça presente", afirmou ao destacar que preço
dos combustíveis na bomba é quase o dobro do pago nas refinarias. A ideia é que
ICMS seja previsível, assim como o PIS/Cofins, que tem um valor fixo de R$ 0,35
por litro de combustível.
De acordo com Bolsonaro, a
proposta a ser apresentada já na semana que vem pretende que o ICMS venha a
incidir sobre o preço do combustível nas refinarias ou um valor fixo para
álcool, gasolina ou o diesel. "Quem vai definir esse percentual ou valor
fixo serão as respectivas assembleias legislativas. O ICMS é variável de Estado
para Estado. O que a população pede para nós é essa previsibilidade",
enfatizou o presidente.
A manifestação surge após o
descontentamento dos caminhoneiros com as recentes altas no preço do diesel. Na
última segunda-feira (1º), grupos de representantes da categoria cruzaram os
braços e interromperam o fluxo em algumas rodovias do Brasil. "Agradeço à
não aderência ao movimento grevista", disse o presidente.
Bolsonaro afirmou ter a obrigação
de se antecipar a problemas e "proporcionar as melhores políticas para o
bem-estar do nosso povo". "Nosso compromisso principal é tirar o
Estado do povo trabalhador", disse ao negar a tentativa de controlar a
política de preços da Petrobras. "Interferência existia em um passado bem
próximo, quando alguns partidos indicavam os presidentes da Petrobras, e
tivemos um dos mais brutais esquemas de corrupção, conhecido como
'Petrolão". No nosso governo, isso não existe", garantiu o
presidente.
O presidente da Petrobras,
Roberto Castello Branco, confirmou que o governo jamais tentou interferir no
preço dos combustíveis. "A Petrobras segue as cotações internacionais.
Fazer diferente disso foi desastroso no passado", recorda o executivo.
Questionado, Bolsonaro avaliou
que a eventual aprovação do projeto não vai impactar na arrecadação dos
Estados. “Sabendo que o preço do diesel é R$ 2 nas refinarias, você tem como
incluir o PIS/Cofins. No diesel não tem mais Cide, coloca depois a questão do
ICMS e falta depois a questão do transporte e o lucro. Você cria uma
previsibilidade no preço do combustível. Se a Petrobras reajusta em X centavos
o preço do diesel, você sabe que não vai ter aumento no transporte, na
distribuição ou na revenda. Vai ter impacto no ICMS e no PIS/Cofins. É a
previsibilidade que queremos”, explicou ao dizer que conversou com o governador
do Paraná Ratinho Júnior (PSD), que considerou a proposta como
"factível".
O ministro da Economia, Paulo
Guedes, reforçou a fala de Bolsonaro e disse que pretende desonerar impostos
sobre eletricidade e combustíveis. Segundo ele, os tributos foram criados
devido à possibilidade fácil de arrecadação. "Isso é responsável pela
queda de produtividade das empresas, pela baixa competitividade internacional
porque o peso do Estado é muito grande", pontuou o ministro, que
manifestou interesse de "tirar o Estado do cangote do brasileiro".
05/02/2021
| 11:10
R7